O Casarão

Publicado: 04/07/2009 em Cantinho Poético
Atrás das grades
O antigo casarão
Azul da cor do céu
Não é uma ilusão.

Abrem o portão
Vejo faces desconfiadas
Será medo do outro
Ou será medo de si?
Atrás de cada face
Uma história a contar
Um sonho
Um destino a mudar

O portão que se abre
É a mão estendida
A oportunidade almejada
A criança resgatada.

Passos inseguros
Paralelepípedos frios
Ruela estreita
Muita cor!

Encontramos o calor
O cobertor da dedicação
Que vem do coração
De cada um que vê no todo
A única solução.

Logo cruzaremos aquele portão
Novos horizontes desvendaremos.
Cada um tem seu valor
Cada face identidade
Hora de buscar felicidade.

Para trás o casarão ficará
Mas em nossos corações
Para sempre estará.
Em cada lição aprendida
Em cada amigo
Em cada olhar
Tudo que ficou por lá.


Esta
poesia fiz para homenagear minha querida e inesquecível professora
Nilu, de Leitura e Comunicação, e também para expressar um pouco de
meus sentimentos nestes meses que estudei e convivi no SASECOP.
E minha poesia ficará por lá, enquadrada no casarão…É muita emoção!
Mais do que certificados, encontramos muito carinho, dedicação e muitas lições de vida.

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Palavras

Publicado: 16/05/2009 em Cantinho Poético
As palavras
São alegres como crianças
Brincam em meu pensamento
Querem criar vida
Querem correr com o vento

As palavras
Fervilham, misturam-se
Querem tomar forma
Namoram-me.
 
As palavras
São rebeldes
Ficam mudas
Fingem-se de surdas
Querem protestar.
 
As palavras…
Elas não entendem
Que o poeta se esconde
Que apesar de alma sonhadora
Não sou poeta
Sou somente elas…
Palavras
Que saem escondidas para
passear

PELAS RUAS

Publicado: 08/05/2009 em Crônicas

Onde mora a dignidade humana? Esta foi a pergunta que me fiz.

A mulher vinha pela rua, vestes surradas, cabelos desgrenhados, olhar inseguro. Parou, olhou a rua, atrás de um poste tirou da sacola uma garrafa PET com água, despiu-se da peça íntima por baixo da saia comprida e agaixando-se lavou sua intimidade, olhando para os lados como se pudesse assim evitar possíveis olhares.

Meus passos diminuiram como a querer preservar aquele momento de pivacidade ali tão exposto na calçada pública esburacada. Passei por ela querendo ser invisível e pensando que eu estava indo e voltaria…e ela talvez nunca voltasse por não ter de onde partir, num ir e vir para o nada.

Não olhei para trás, não sei se pela consciência leve ou pesada.

Onde ela mora, a tal dignidade? Onde mora não sei, mas sei que pode ser muito…muito pouco.


O PANO

Publicado: 17/03/2009 em Cantinho Poético
Lá estava o pano…
Há muito tempo me esperava
Seria capaz de pintá-lo?
O desafio pulou do molde para o tecido
Mãos inseguras
Tintas, carbonos, pincéis…
Cores brincando com ilusões
E a pintura surgiu
Olho para o pano…lindo.
O tempo o encardiu…
Olho para o pano
É só um pano velho
Pintado

GOOD SONG

Publicado: 13/03/2009 em Sem categoria

Sensacional esse video clipe do BLUR! Penso que depois de Thom Yorke, a melhor cabeça musical seja o Damon Albarn.

Finita é a vida…vida de todos que na Terra habitam Estranho…somente o Homem- ser que sabe que sabe, é capaz de desequilibrar o cilclo da vida, acelerar o lento e inexorável  rumo ao fim da natureza, incluindo os “humanos”. Definitivamente inteligência não é sinônimo de sabedoria…

Eu Me Pertenço!

Publicado: 08/03/2009 em Um Cadinho de Prosa

 

 

Dia Internacional da Mulher…

Foram tantas transformações  ocorridas em um espaço de tempo relativamente curto, então como definir o perfil da mulher de hoje? Não me sinto capacitada para generalizar e traçar esse perfil, afinal há mulheres em várias faixas etárias e cada uma traz um comportamento baseado não só em crescimento emocional, pessoal, como também social.

Estava eu a passar uma calça para meu filho ir a um casamento e fiquei pensando: Que tempos eram aqueles em que uma mulher era rotulada “boa” pelos cuidados com roupas, arrumações, dotes culinários, servidão à família…Certamente não gostaria de estar fazendo vincos em calças…em tempo algum.

Então perguntei-me questionadora, observadora do comportamento humano, como sempre: Que perfil de mulher é você?

Lembro-me exatamente de minhas observações relacionadas ao universo feminino, achava tudo castrador, limitado, deliciava-me com as feministas, queria trabalhar como minha mãe (apesar de reclamar sua presença), ser independente de um homem e ao mesmo tempo queria um para mim como se isso não fosse dependência…talvez um homem para validar minha existência..

Ao longo dos anos fiz minhas escolhas, todas muito bem pensadas, sempre muito racionais para evitar culpas posteriores…e não reclamo das escolhas, fui feliz na maioria delas; estúpida, infantil e covarde em outras…E em todas escolhas a verdade, a minha verdade, sempre esteve presente, minha alma sempre foi livre, meus sentimentos nunca se calaram…Não consegui independência financeira, mas nunca fui dependente de um homem; lavei, passei, cozinhei; limpei…

Aprendi a amar…sem idealizações…incondicionalmente…não preciso ser dona de alguém, muito menos que sejam meu dono para eu amar ou me sentir amada; respeito  ao ser humano é essencial.

Trabalhei menos do que sonhei, estudei menos do que deveria, mas em compensação fui mãe amiga e companheira e isso é maravilhoso…poder ter tido a oportunidade de crescer e me renovar na alegria de ser mãe, não aquelas superiores que sabem tudo, aquela que além de educar se permite aprender…e aprendi muito com a maternidade, esse foi meu melhor desempenho na vida!

Acho que toda mulher, não importa a idade, deveria sempre voltar-se para dentro de si e questionar-se:

Isto me faz feliz, é o que realmente quero?

E se não quero, quem foi que disse que tem que ser assim?

Por que preciso de um homem para me completar se sou completa?

Por que tenho que me casar?

Por que não me casar?

Por que tenho que trabalhar fora, ser uma vencedora só profissionalmente?

Por que tenho que ser só dona de casa?

Por que tenho que ser competente o tempo todo?

Por que tenho que ser mãe?

Por que não posso dizer que não estou a fim de sexo?

Por que não dizer a um homem que estou morrendo de desejo por ele?

E por aí vai..são tantos os questionamentos que devemos fazer o tempo todo e cada resposta é única e nos mostra o caminho quando a resposta é dada para nós e não para aqueles que nos cercam ou à sociedade. E o mais importante: Não diga não querendo dizer sim e muito menos diga sim querendo dizer não!

Sou mulher…feminina (pelo menos aos meus olhos…); bela e fera; atrapalhada; sonhadora com os pés no chão; livre de corpo e alma; carteira vazia; alguns planos; mãe companheira; tenho vontade de beijar na boca só quem eu quero; tomo cerveja; ouço, canto rock and  roll…sou feliz assim.

Acima de tudo…”I am Mine!”, como diz a música do Pearl Jam.

 

NUA

Publicado: 20/02/2009 em Cantinho Poético
Que vestes veste a mulher…

Menina de lacinho
Mocinha de sainha
Jovem moderna e sedutora
Madura comportada
E a senhora alinhada

Que vestes me veste…

Ora sou uma
Ora sou outra
Em outras…sou todas
Algumas vezes nenhuma…
Sou nua

Vestes…
Visto-me
E dispo-me delas

Vesti-me quando nua
Nos braços de desamor
E nos braços do amor dispo-me
Mostro meu íntimo
Dispo-me do medo de ser mulher
Dispo-me do medo do desejo
Dispo-me das vestes do pecado
Da ira de deuses
Dos véus do pudor


E mostro-me nua…

Meu íntimo é mais
Muito mais do que as vestes escondem
Mais do qu
e mãos percorrem
Do que os olhos vêem
Sou corpo nu
Alma despida
Sou vida