Arquivo da categoria ‘Um Cadinho de Prosa’

Eu Me Pertenço!

Publicado: 08/03/2009 em Um Cadinho de Prosa

 

 

Dia Internacional da Mulher…

Foram tantas transformações  ocorridas em um espaço de tempo relativamente curto, então como definir o perfil da mulher de hoje? Não me sinto capacitada para generalizar e traçar esse perfil, afinal há mulheres em várias faixas etárias e cada uma traz um comportamento baseado não só em crescimento emocional, pessoal, como também social.

Estava eu a passar uma calça para meu filho ir a um casamento e fiquei pensando: Que tempos eram aqueles em que uma mulher era rotulada “boa” pelos cuidados com roupas, arrumações, dotes culinários, servidão à família…Certamente não gostaria de estar fazendo vincos em calças…em tempo algum.

Então perguntei-me questionadora, observadora do comportamento humano, como sempre: Que perfil de mulher é você?

Lembro-me exatamente de minhas observações relacionadas ao universo feminino, achava tudo castrador, limitado, deliciava-me com as feministas, queria trabalhar como minha mãe (apesar de reclamar sua presença), ser independente de um homem e ao mesmo tempo queria um para mim como se isso não fosse dependência…talvez um homem para validar minha existência..

Ao longo dos anos fiz minhas escolhas, todas muito bem pensadas, sempre muito racionais para evitar culpas posteriores…e não reclamo das escolhas, fui feliz na maioria delas; estúpida, infantil e covarde em outras…E em todas escolhas a verdade, a minha verdade, sempre esteve presente, minha alma sempre foi livre, meus sentimentos nunca se calaram…Não consegui independência financeira, mas nunca fui dependente de um homem; lavei, passei, cozinhei; limpei…

Aprendi a amar…sem idealizações…incondicionalmente…não preciso ser dona de alguém, muito menos que sejam meu dono para eu amar ou me sentir amada; respeito  ao ser humano é essencial.

Trabalhei menos do que sonhei, estudei menos do que deveria, mas em compensação fui mãe amiga e companheira e isso é maravilhoso…poder ter tido a oportunidade de crescer e me renovar na alegria de ser mãe, não aquelas superiores que sabem tudo, aquela que além de educar se permite aprender…e aprendi muito com a maternidade, esse foi meu melhor desempenho na vida!

Acho que toda mulher, não importa a idade, deveria sempre voltar-se para dentro de si e questionar-se:

Isto me faz feliz, é o que realmente quero?

E se não quero, quem foi que disse que tem que ser assim?

Por que preciso de um homem para me completar se sou completa?

Por que tenho que me casar?

Por que não me casar?

Por que tenho que trabalhar fora, ser uma vencedora só profissionalmente?

Por que tenho que ser só dona de casa?

Por que tenho que ser competente o tempo todo?

Por que tenho que ser mãe?

Por que não posso dizer que não estou a fim de sexo?

Por que não dizer a um homem que estou morrendo de desejo por ele?

E por aí vai..são tantos os questionamentos que devemos fazer o tempo todo e cada resposta é única e nos mostra o caminho quando a resposta é dada para nós e não para aqueles que nos cercam ou à sociedade. E o mais importante: Não diga não querendo dizer sim e muito menos diga sim querendo dizer não!

Sou mulher…feminina (pelo menos aos meus olhos…); bela e fera; atrapalhada; sonhadora com os pés no chão; livre de corpo e alma; carteira vazia; alguns planos; mãe companheira; tenho vontade de beijar na boca só quem eu quero; tomo cerveja; ouço, canto rock and  roll…sou feliz assim.

Acima de tudo…”I am Mine!”, como diz a música do Pearl Jam.

 

Anúncios

Ao Professor Marcello

Publicado: 23/01/2009 em Um Cadinho de Prosa
Finalmente você se formou…
Observo os formandos em alegria contagiante, familiares orgulhosos, discursos, juramentos, becas, canudos…
Não,
não é somente um ritual de comemoração, cada um ali tem sua própria
História…dificuldade, dedicação, obstinação, superação…
A
maioria  jovenzinhos, alguns teoricamente na metade da vida e poucos mais
idosos, com aquele brilho nos olhos como a dizer em forma exemplar:
-Nunca é tarde, eu consegui!
A
vida é assim, nem sempre as ferramentas estão disponíveis no momento
adequado, muitas vezes elas aparecem nos momentos mais inesperados, na
dor, na tristeza, no desconforto da falta, na saudade, na
desilusão…mas a vida por si é magica e flores brotam até no deserto,
sempre há possibilidade de germinar…
As vidas se cruzam,
entrelaçam e de alguma forma as histórias se misturam e nesta ocasião,
talvez seja até pretensão minha, mas penso ter um cadinho de "culpa"
nesse momento tão seu, não da forma convencional, idealizada, mas pelas
decisões que tomamos nesta vida e que nos traz a possibilidade de novos
horizontes…

E, quem sabe, este momento tão seu não me sirva de inspiração…nunca é tarde mesmo sendo um pouco (ou muito) mais tarde…
Tenho muito orgulho do homem forte que se tornou, do exemplo que é para nosso filho, do amigo que tenho.
Parabéns professor!




Linguagem do Amor

Publicado: 06/01/2009 em Um Cadinho de Prosa
Mais uma vez em minhas divagações existenciais e como não podia deixar de ser, sobre o amor, sempre o tal do Amor…quisera achar as palavras para usá-las em um poesia toda rebuscada que acalentasse meu ser errante…
Amar é verbo transitivo e intransitivo…como expressá-lo então?
Posso expressar com eloquência (saudade do trema)  meu amor, mas de que adianta se ele só transita em mim, não percorre os caminhos do amor do outro? Todo complemento precisa de permissão…imperativo, nem pensar!
Poderia ainda usar a linguagem das reticências para expressar…são tão tentadoras e um coração apaixonado pode se perder em um labirinto de possibilidades…Não, reticências são muito perigosas…
Em meus devaneios…e somente neles, eu te procuro, tu me procuras, nós nos procuramos…não há ponto final. Talvez um dia nos encontraremos novamente e concordaremos que o melhor tempo verbal é o presente, onde as recordações do passado alimentam as letrinhas que expressam todo o nosso Amo
r.
Melhor é não expressar…não haveria palavras…é deixar o tempo futuro apagar
.
.


Um carinho…

Publicado: 21/12/2008 em Um Cadinho de Prosa

Ontem visitei minha tia, minha madrinha querida, aquela que me
ensinou tantas coisas, tantos prazeres inimagináveis para minha
realidade…Até o nevoeiro típico de São Bernardo veio me recepcionar com seu frescor cheiroso e não precisei nem fechar os olhos para voltar ao passado tão distante…Ah, como esquecer meu primeiro livro (O Meu Pé  de Laranja
Lima), lido na varanda de sua pequena e calorosa casa; meu primeiro encontro com o eterno Principezinho de Exupéry; o cinema; minha
primeira palavra cruzada (Picolé); o inesquecível sorvete de ameixas; as primeiras dicas para preparar bolos; a cama de "armar" aberta na
cozinha, preparada com tanto carinho, onde ao amanhecer ficava ouvindo o barulho dos carros que
passavam; os presentes inesperados; e a comida então, nem se fala, era (é) a melhor do mundo e o cheiro me torturava já que lá jantavam bem mais tarde que em minha casa; sua dignidade mesmo vivendo um casamento machista e autoritário…

As visitas à sua
casa fizeram parte de minha infância e adolescência…Como é gostoso
encontrá-la, dar um abraço bem apertado, comer uma comidinha
contando as novidades, sentar no sofá e ficar
olhando as fotos antigas, revivendo tantos momentos, tantas pessoas que
passaram em nossas vidas…e que surpresas nos trazem essas caixas de
fotos do passado…

Saudade é muito bom quando as caixas estão repletas de tesouros vivenciados de verdade!!!

À ela, minha amada tia Margarida (para mim, sempre será Fiinha) meu eterno amor e gratidão.