Arquivo da categoria ‘Cantinho Poético’

Imensidão

Publicado: 17/03/2011 em Cantinho Poético
Imensidão
Aninha ilusão
Névoas que bailam
Lindas bailarinas
Perfumadas como rosas.
Dona das tardes mornas
Onde pássaros agitados
Procuram árvores frondosas
Um lugar para repousar.
Tardes de amantes
Acolhe desejos de aquecer
Braços entrelaçados
Sem laço.
Nela me envolvo
Em teus braços
Tudo é imensidão
Espaço infinito
Minha criação.

Ah, embriagada alma.
Dentro dela rodopiou!
Como menina alegre
Em névoas espirais
Bailou.
Como lenço de seda
Ao vento do mar
Prisioneiro atado
No pescoço da moça
Não pode voar.
Tudo que vê
É imensidão
Beleza do mar
Desejo de navegar.

Doce ilusão
Dentro dela girou.
Tão veloz
O lenço desatou
Solitária moça abandonou.
Livre na imensidão
Voou.
Em areias brancas
Fugaz
Logo à frente pousou.
A onda veio
Levou
Ilusão evaporou.
Fantasia solitária
Despida ao chão
Resta imensidão.
Sem perfume
Sem cor
Sem calor
Apenas espaço:
Desabitado
Ocupado
Denso
Concreto
Vazio
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Paisagem

Publicado: 30/05/2010 em Cantinho Poético

 

 

Paisagem intocável…
 
Cada olhar um pintor
Branca
Pálida
Acinzentada
Cansada
Negra
Sombria
Vermelha
Acalorada…apaixonada
Amarela
Em aquarela
Brilha…
Um mundo de cor
O traço é livre
A alma é do pintor
 
Paisagem sentida…
 A alma é do poeta
Quando deita na relva
É ela
Fecha os olhos
E ainda vê sua cor
Sente o frescor da manhã
Cheiro de mato molhado
Sente seu calor
Inspiração
Mistura-se em suas cores
Sussurra-lhe palavras de carinho
Sente-se um menino
É a mais linda do mundo

Beijo

Publicado: 06/09/2009 em Cantinho Poético
Beijo rebelde
Aventureiro
Percorre colinas
Procura  pela brisa do mar

Foz que se rende
Te espera
Te prende

Invade
Arrebata
Cobre os espaços
É laço
Domina meu chão
Bebe minha alma
Brinda meu corpo
Em seu corpo

Sorve meu desejo
Descança em minha pele


Beijo

É chama
Selvagem
Clama
Dono da paisagem

Indomável
No relevo

Esquece as moradas
Sou sua…
Pousada





Certos Dias

Publicado: 06/09/2009 em Cantinho Poético
Há dias com gosto de chuva
Daquelas de inverno
Insistentes
Parecem desabar
São gélidos e caldalosos

Na en
xurrada incontrolável
Arrastam o ocaso da ilusão
Não adianta capa
Nem guarda chuva
Cortam corpos trêmulos
Congelam almas
Frágeis pensamentos ingênuos…
Carregam tudo pelo caminho
Desabam no bueiro escuro
Tenebroso
Que engole sorridente
As águas turbulentas
No final da ladeira cansada

Há dias  de chuva
Ouço do quarto fechado
A força da tempestade
Que não se importa com minha vontade
Abro a janela
Não tenho medo dos dias de chuva
Nem medo de raios e trovões
Eles passam sempre
A vida brota
Fecho a janela

Abro a porta
Vou sair lá fora




Minha Vida em Poesia

Publicado: 12/07/2009 em Cantinho Poético
À noite a menininha usava a imaginação
Sombras nas paredes, luz de lampião.
Lá fora o grilo cantava
E cantava com o pai
Que causos contava
E ela assim pelo mundo vai.
De manhãzinha ainda na cama
O cheiro de café no ar
No rádio, moda de viola sempre a tocar
Todos vão trabalhar,
Menos a vó que dizia:
-Levante menina, vá brincar!

A menina cresceu
Foi à escola aprender.
Dos livros aprendeu a gostar
Mas não gostava muito de estudar.
Boné na cabeça, o mundo para conquistar
Ah, como era boa a vida de muleca de rua:
Bolas, pipas, figurinhas, brincadeiras…
E música sempre no ar.

Na cozinha o cheiro de bolo de fubá
A figura da avó!
Veio-me o gosto para cozinhar.

A moça tímida camuflada
Perdeu o tempo certo de namorar
Se é que para isso tempo há
Ficava na rua a brincar.
E que grande bobagem,
A pretesto de trabalhar
Deixou de estudar
Sem saber que a vida dá
Aquilo que vamos buscar.
E a jovem fez a triste escolha
Junto à mãe o mundo foi enfrentar.

O primeiro grande amor
Veio a despedida…dor.
Voltou a estudar
Queria o mundo libertar.
Quis dar uma chance ao amor
Tentou.
Novamente o estudo abandonou.
Um horizonte mais amplo não enxergou.
Casou.
Veio a maternidade junto à maturidade
Sentiu na existência daquele ser
O significado de viver.
Novas escolhas…
Foi mãe.
Na infância do pequeno
Com ares modernos, sua própria reviveu.
Cada gesto foram laços
Não faltaram abraços!

O tempo passou, sentiu-se só
Nem a música soou.
Amor deveria ser partilhar…
E não sendo, melhor acabar
O que acabado já está.

É tempo para recomeçar
Voltou a estudar
Música no ar
Quer o mundo abraçar!
Como o poder de poesia,
Muitos contos pode narrar.

Obs: O tema desta poesia foi sugestão da pro Nilu.

O Casarão

Publicado: 04/07/2009 em Cantinho Poético
Atrás das grades
O antigo casarão
Azul da cor do céu
Não é uma ilusão.

Abrem o portão
Vejo faces desconfiadas
Será medo do outro
Ou será medo de si?
Atrás de cada face
Uma história a contar
Um sonho
Um destino a mudar

O portão que se abre
É a mão estendida
A oportunidade almejada
A criança resgatada.

Passos inseguros
Paralelepípedos frios
Ruela estreita
Muita cor!

Encontramos o calor
O cobertor da dedicação
Que vem do coração
De cada um que vê no todo
A única solução.

Logo cruzaremos aquele portão
Novos horizontes desvendaremos.
Cada um tem seu valor
Cada face identidade
Hora de buscar felicidade.

Para trás o casarão ficará
Mas em nossos corações
Para sempre estará.
Em cada lição aprendida
Em cada amigo
Em cada olhar
Tudo que ficou por lá.


Esta
poesia fiz para homenagear minha querida e inesquecível professora
Nilu, de Leitura e Comunicação, e também para expressar um pouco de
meus sentimentos nestes meses que estudei e convivi no SASECOP.
E minha poesia ficará por lá, enquadrada no casarão…É muita emoção!
Mais do que certificados, encontramos muito carinho, dedicação e muitas lições de vida.

Palavras

Publicado: 16/05/2009 em Cantinho Poético
As palavras
São alegres como crianças
Brincam em meu pensamento
Querem criar vida
Querem correr com o vento

As palavras
Fervilham, misturam-se
Querem tomar forma
Namoram-me.
 
As palavras
São rebeldes
Ficam mudas
Fingem-se de surdas
Querem protestar.
 
As palavras…
Elas não entendem
Que o poeta se esconde
Que apesar de alma sonhadora
Não sou poeta
Sou somente elas…
Palavras
Que saem escondidas para
passear